História da Nossa Gente

Moratense, por tempo, por coração

Por: Coordenadoria de Relações Públicas | Em: 10/07/2017

Profissionais do coração! É esse o termo que eles utilizam para se intitular. Estamos falando do casal, Luana Safar Bevilacqua e Kazimir Bevilacqua ,que juntos realizam um trabalho incrível de promoção social há 25 anos em nossa cidade. Eles são italianos, vieram para o Brasil em outubro de 1949, ambos com 5 anos. “Nossos pais se conheciam, estudaram juntos, mas há muito não se viam. As famílias se reencontraram no Porto, na Itália ainda, no campo de imigração, e logo se desencontraram por que nós íamos para a Argentina e eles para a Austrália. Misteriosamente o navio veio parar no Brasil, e quis o destino que nos reencontrássemos em Porto Alegre - RS. ” Conta sorrindo a dona Luana. Como a dona Luana mesmo disse, se reencontraram anos depois no Rio Grande do Sul, se casaram e tiveram três filhos. O Srº Kazimir trabalhava na multinacional Gerdau e foi transferido para o Rio de Janeiro, depois para São Paulo. Começava aí a história do casal com a nossa cidade. Já trabalhando na filial de São Paulo o Srº Kazimir recebeu o convite de um amigo “o que você faz aos finais de semana? Vamos fazer um trabalho social em Francisco Morato? “. Esse amigo estava se referindo ao Seeic (Sociedade de Estudos Espírita Irmã Catarina), que desde 1963 realizava um trabalho de ajuda solidária as famílias carentes de Francisco Morato, através da Justina Schuh e alguns voluntários. A Casa de Justina se localiza no bairro Chácaras RS Aleixo, e em 1992 chegava o casal Bevilacqua para ajudar nessa jornada. Naquela época o atendimento a comunidade era feito aos domingos, e de início a dona Luana e o Srº Kazimir só viam a cidade um domingo por mês para servir almoço a comunidade e auxiliar nas atividades oferecidas pela Casa que naquela época eram: aula de datilografia, corte e costura e manicure. “. “Quando cheguei aqui a primeira vez fiquei muito assustada.

Essa rua era de terra, não tinha casas, eram barracos. Mas o susto não foi só com as condições da cidade, mas sim com a situação das pessoas, muito carentes. ” Conta dona Luana da primeira impressão. Mas ela revela que teve uma cena que te tocou e que a motivou a entrar de cabeça nesse projeto. Ela fala que o pessoal da Seeic trazia 15 cestas básicas e iam no SEASA comprar legumes para montar cestas de legumes para distribuir a comunidade, chegando aqui eles ficavam rodeados por centenas de pessoas, e para a sua surpresa ninguém avançava nas coisas, para ver quem se dava melhor, pelo contrário, eles dividiam entre si. “Até me emociono em falar nisso, e isso que foi me motivando. Ver que tem gente que mesmo na necessidade ajuda o vizinho. Coisas que a gente não estava acostumada a fazer e nem a ver.” Em 1996 a casa firmou parceria com o Lar Fabiano de Cristo e o casal Bevilacqua foi convidado a assumir a coordenação da casa. O atendimento passou a ser diário. No primeiro momento a casa atendia em sistema de creche, eles contrataram os profissionais e o atendimento era feito para crianças de 02 a 06 anos.

Eles tinham 5 turmas que ficavam das 08 as 16hr. E aos finais de semana permanecia o almoço a comunidade. Em 2001 o Governo Federal decretou a lei de diretrizes e bases da educação e uma das condições era que todas as casas assistências deveriam ter além de pedagogas, um auxiliar de educação nas salas. Financeiramente ficou inviável o trabalho, com isso o Lar Fabiano acabou com o trabalho infantil e passou a trabalhar com a família em si e atender crianças e jovens de 6 a 16 anos. Que é o trabalho desenvolvido até hoje na casa. “Nós nos adequamos a essas condições. O Lar Fabiano estabeleceu critérios para desenvolver o trabalho, eram no máximo 25 crianças por sala, não passava disso por que acima disso se começa a ter problema de relacionamento, se perde as condições de atender convenientemente cada criança. ” Explica o Srº Kazimir. Em 2014 por questões financeiras o Lar Fabiano encerrou parceria com a Casa de Justina, hoje ela é mantida pela Seeic e conta com o apoio financeiro da CAPEMISA Social.

Esta linda obra social cresceu junto as necessidades da comunidade de Francisco Morato. A Casa Justina se tornou a Associação de Promoção Social Justina Schuh, oferecendo atividades de convivência e fortalecimento de vínculos, complementação Escolar e geração de renda. “ Nós trabalhamos com o contra turno escolar. Aqui eles vêm para fazer esportes, artes e cultura. Os profissionais em sua maioria são voluntários, só temos alguns contratados. ” Fala a Srª Luana. As crianças recebem reforço alimentar, café da manhã, almoço e café da tarde. Eles fecharam 2016 com os cursos de cabelereiro, padaria, elétrica e a oficina de geleias. Esses cursos eram oferecidos para a comunidade em geral e as famílias que são assistidas pela casa. “É uma maneira deles conseguirem renda própria. ” Comenta o Srº Kazimir. O ano passado eles fizeram uma parceria com a Prefeitura através da Secretaria de Assistência e Desenvolvimento social para utilizarem as instalações da Casa para os cursos de cabeleireiro, construção civil e culinária, oferecidos pela empresa CECON. “Então nesses quatro meses de curso tivemos uma rotatividade de 700 pessoas aqui na casa. Foi muito bacana. ” Fala a Srª Luana.

As famílias assistidas pela Casa são pré-selecionadas. O processo acontece da seguinte forma, o munícipe vai até a Casa solicitar o auxílio, a primeiro passo é passar na triagem da assistente social, ela anota o endereço e depois vão fazer a visita a casa daquela pessoa para conhecer sua real história, ver se realmente é uma família que precisa ser auxiliada. E a partir disso a assistente social faz um programa de atendimento com no mínimo 5 anos. E isso independe onde a pessoa mora. Atendem toda a cidade. “Claro que o maior número de assistidos é daqui da região devido as pessoas dos outros bairros desistirem de vir por conta da distância. Mas nós temos assistidos até do Jd Alegria. ” Comenta a dona Luana. Eles explicam que no primeiro momento, dependendo da situação, eles atendem de imediato, dão uma cesta básica e procuram colocar essa família em alguma atividade da Casa. Eles dão orientação e encaminham para médicos, advogados e serviços na Prefeitura. “Nós temos hoje dois psicólogos voluntários, um para atender a infância e juventude e outro para os adultos. Temos também uma dentista voluntária que vem uma vez por mês atender nossas crianças na casa. Ela traz um equipamento portátil que ela tem e os casos mais básicos ela trata aqui, como cárie primária, limpeza, aplicação de flúor, escovação, só quando é um caso mais sério que encaminhamos a rede pública. ” As crianças que participam diariamente das atividades são os filhos das famílias assistidas. Atualmente eles atendem 60 famílias que ao final totaliza cerca de 300 pessoas. São cerca de 120 crianças fazendo nossas atividades na Casa durante a semana, além disso eles recebem um grupo de 34 idosos que atendem na sexta feira. Fazem festas temáticas como dia das mães, festa junina e o tradicional almoço de natal, nessas festas reúnem toda a família. Eles comentam também as situações atípicas, como no caso das chuvas, onde ocorreram os alagamentos, eles foram de encontro as famílias assistidas para dar o auxílio, mas chegando lá ajudaram todos que precisavam na rua, mesmo não sendo família cadastrada.

O casal não mora em Francisco Morato, mas dizem ter um coração Moratense. “Isso aqui é a nossa vida, passamos mais tempo aqui do que em nossa casa. Nós temos 3 filhos biológicos e mais uns 100 do coração. Essas famílias que atendemos são a extensão da nossa família. ” Fala dona Luana.

Hoje a Dona Luana é a supervisora da Casa e o Srº Kazimir é voluntário. Eles fazem parte de todos os conselhos da cidade, o CMI (Conselho Municipal do Idoso), CMDCA (Conselho Municipal dos Direitos da Criança e do Adolescente) e CMAS (Conselho Municipal da Assistência Social). “Tirar a criançada da rua, é o nosso grande foco. E reabilitar as famílias também. Já faz 3 anos que nossos jovens quando saem daqui vão fazer a prova de admissão na Pró Morato e ficam lá. Hoje mesmo temos um menino que saiu da nossa casa e foi para a Pró Morato e hoje ele é nosso voluntário. Ele entrou em sexto lugar na ETEC. Gente, para nós isso é o maior pagamento. Muito gratificante saber que a nossa batalha está tendo fruto. Estamos conseguindo mostrar para as crianças que elas têm condições sim de melhorar de vida, de almejar um futuro melhor. ” Encerra emocionada dona Luana.


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